Como você pode contribuir para frear intensidade de transmissão do novo coronavírus

Se você sente impotência diante da pandemia do novo coronavírus, saiba que você pode ajudar a diminuir os danos causados por ela. Para compreender esse papel de cada um, primeiro é preciso lembrar que a Covid-19 é mais letal e contagiosa do que uma gripe comum. Uma pessoa pode, sem saber, transmitir facilmente o novo coronavírus para outras pessoas, e estas para ainda mais pessoas, com potencial para gerar grande número de infectados.

É esse efeito que a foto abaixo explica de forma visual. Na imagem, cada pessoa passa o SARS-CoV-2 para mais pessoas. Assim o número de infectados fica cada vez maior. No entanto, a imagem também mostra como cada pessoa pode mitigar esse efeito com o distanciamento físico, e reduzir o número de contágios. Ao evitar o contato com outras pessoas o indivíduo diminui as oportunidades do vírus de infectar mais pessoas.

Fonte: The Spinoff

Um exemplo desse potencial é o caso da Paciente 31. Havia 30 casos da Covid-19 na Coréia do Sul, em fevereiro, quando uma mulher começou a disseminar a doença inadvertidamente. Depois, apesar de ter recebido orientação médica para fazer teste para a doença, continuou comparecendo a locais com concentração de pessoas. No período de dias, centenas de pessoas testaram positivo para a Covid-19. Tanto dos lugares que ela frequentou quanto de grupos relacionados a essas pessoas.

É importante lembrar que a doença representa risco para as pessoas de todas as idades. Ainda assim, aqueles que pensam correr menos riscos de desenvolver sintomas graves da doença, devem evitar o contato físico com outras pessoas para diminuir a probabilidade de o vírus chegar a pessoas do grupo de risco.

A matemática da doença

Para avaliar a intensidade de transmissão de uma doença infecciosa, o principal parâmetro é o Número Básico de Reprodução (R0). Esse número ainda não foi determinado para a Covid-19, mas a Organização Mundial da Saúde estimou esse número por volta de 2 e 2,5. O número fio levantado em fevereiro, com base na disseminação de Wuhan para outras partes da China. Enquanto algumas estimativas colocam esse número em 3,11.

Artigo publicado em janeiro no Cadernos de Saúde Publica, diz que as estimativas de R0 para o SARS-CoV-2 variam de 1,6 a 4,1. Enquanto a epidemia de H1N1 de 2009 tinha R0 entre 1,3 e 1,8.

O diretor do Institute for Human Health and Performance da University College London, Hugh Montgomery, explica essa disseminação em um vídeo, de forma clara. Ele fala que se uma pessoa pegar a gripe normal pode infectar entre 1,3 e 1,4 pessoas e se essas pessoas passassem para outras, quando esse processo se repetisse pela décima vez 14 pessoas estariam gripadas.

Mas o novo coronavírus é mais infeccioso, então Montgomery considerou que cada pessoa passasse para outras três. Embora o número possa não parecer muito maior, depois de dez camadas de disseminação, o número de pessoas infectadas saltaria para 59 mil. Embora a matemática simplifique um pouco a realidade, de acordo com Montgomery, esse cálculo sustenta uma questão básica.

Ao final do vídeo, ele destaca que “se você for irresponsável o suficiente para pensar que você não se importa se pegar a gripe, lembre que não é sobre você, é sobre todas as outras pessoas”. Isso porque, se muitas pessoas ficarem doentes ao mesmo tempo, o sistema de saúde ficará sobrecarregado e não haverá profissionais ou equipamentos suficientes para atender a todos, de acordo com o diretor.

A Covid-19 no Brasil

Uma publicação do Jornal da USP relata o esforço conjunto de pesquisadores e estudantes das instituições públicas: Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista e da Universidade Federal do Grande ABC. O Observatório Covid-19 BR disponibiliza dados confiáveis para entender a dinâmica da doença no país.

Como há muitas variáveis envolvidas na construção de um gráfico epidemiológico, a tarefa de previsão do desenvolvimento de uma doença não é simples. Por isso, é essencial procurar dados confiáveis em um momento de tantas incertezas.

Um dos dados disponíveis no site do observatório é a estimativa do Número Reprodutivo efetivo (Re), que representa a média de pessoas contaminadas por um infectado. Ao acessar esses dados é possível observar a variação estimada, ao longo do tempo, do número de pessoas para as quais cada infectado transmite o vírus.

Além disso, foi feita uma adaptação do modelo de propagação de um vírus em uma rede social criado por Uri Wilensky. Lá, você pode alterar o número de pessoas e contatos e assim ver os efeitos do distanciamento físico de forma gráfica.

Nesse momento de incertezas, a ciência busca respostas e informações mais precisas. Iniciativas como essa permitem que as pessoas acessem os dados e acompanhem o que está acontecendo. Você pode acessar o Observatório aqui. [VoxJornal da USPGraphics ReutersCadernos de Saúde PúblicaOrganização Mundial da Saúde]

Fonte: hypescience

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