UFS desenvolve caixas de desinfecção de máscaras N95 para hospitais públicos

Uso da tecnologia permite a reutilização do equipamento de proteção individual

Caixa de desinfecção de máscaras utiliza radiação ultravioleta. Foto: Josafá Neto

A Universidade Federal de Sergipe está desenvolvendo seis caixas de desinfecção de máscaras descartavéis de filtro N95, usadas, principalmente, para proteger os profissionais de saúde de contaminações no ambiente hospitalar. A tecnologia permite a reutilização do equipamento de proteção individual no enfrentamento à covid-19.

Em razão da alta demanda de equipes médicas pelo material, os pesquisadores do Laboratório de Corrosão e Nanotecnologia da UFS decidiram utilizar a expertise na área de radiação para criar a ferramenta, ampliando o tempo de uso das máscaras.

“Eu já conhecia o efeito da luz ultravioleta C (UV-C) e comecei a ler artigos sobre uso da luz, inclusive, para desinfetar equipamentos de proteção individual que o pessoal estava fazendo no mundo por causa da pandemia. É uma coisa já usada há muitos anos, desde 1906 é usada para esterilizar água. Mas, agora, na pandemia, começou a ser utilizada para esterilizar EPI’s que estão em falta,” conta a professora Susana Lalic.

A professora relata ainda que, diante da complexidade para montar as caixas e colocá-las em funcionamento, foi preciso mobilizar um grupo de trabalho na universidade, como residentes de radiodiagnóstico do Hospital Universitario de Aracaju e técnicos do setor elétrico e de manutenção da Superintendência de Infraestrutura (INFRAUFS).

Susana Lalic é professora do Departamento de Física da UFS. Foto: Josafá Neto

O professor José Joatan Rodrigues explica que a caixa tem um dispositivo que interrompe a radiação ultravioleta, automaticamente, ao ser aberta, para evitar danos a órgãos mais sensíveis do corpo humano, principalmente em regiões da pele e olhos.

“Esse dispositivo foi instalado porque o UV-C é uma radiação prejudicial, especialmente, para córnea, pele, que normalmente, a gente não está exposto a ela, porque é filtrada pela camada de ozônio que tem na atmosfera. Neste caso, essa caixa tem lâmpadas que a intensidade é bastante alta para fazer a desinfecção do material de proteção; por isso, esse cuidado de não ser exposto diretamente a ela,” afirma.

Professor José Joatan realiza medições de radiação ultravioleta. Foto: Josafá Neto

Com o sistema elétrico ativado e as seis lâmpadas liberando radiação, outro cuidado dos pesquisadores foi quanto ao tempo de exposição do material dentro da caixa.

“Estamos fazendo a calibração para determinar os tempos que o material tem que ficar exposto a lâmpada para ter uma efetiva desinfecção. Então, fazemos essa calibração para garantir que o material vai ser desinfectado no tempo determinado,” diz Joatan.

Após passar por testes, as caixas de desinfecção de máscaras de filtro N95 serão doadas aos hospitais públicos do estado, a exemplo do HU, para auxiliar a proteção individual dos profissionais de saúde na prevenção e combate ao novo coronavírus.

Professores do Laboratório de Corrosão de Nanotecnologia da UFS. Foto: Josafá Neto

“Sem as máscaras, você não pode trabalhar. Então, a gente deixa de ter mão de obra trabalhando porque não tem equipamento para ter mais profissionais, mais máscaras. Essas máscaras duram bastante tempo. Normalmente, elas são descartáveis, justamente por elas estarem contaminadas. Então, a máscara não vai ser passada para outra pessoa. Vai ser sempre a mesma pessoa. Ela tem que reutilizar a máscara, e passa a usar a máscara mais limpa, com mais segurança”, complementa Susana Lalic.

Texto: Abel Victor e Josafá Neto

Fonte: UFS

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